sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Continuação do resumo do livro

Os percursos do corpo na cultura contemporânea



Malu Fontes neste artigo apresenta e analisa as características de um padrão físico-corporal considerado como ilustrativo da corporeidade considerada, como canônica no final do século xx de acordo com os meios de comunicação de massa. Onde é tido como desejável e sinônimo de beleza, saúde e bem-estar.

O corpo canônico é em essência, resultado de um conjunto de investimentos em práticas, modos e artifícios que visam alterar as configurações anatômicas e estéticas.

Essa corporeidade é ilustrada pelo corpo feminino idealizado aos apelos midiáticos, sobretudo no discurso publicitário em elementos relacionados á juventude e ao vigor.

Ela ressalta que os padrões que hoje definem o corpo canônico da mídia são passiveis de alterações ao logo do tempo.

A autora mostra a dificuldade das mulheres deficientes físicas se afirmarem como pessoa, cidadã e mulher em um contexto social e culturalmente marcado por uma corporeidade feminina canônica. O corpo dissonante em relação á corporeidade canônica vigente a cultura de massa, pode ser um elemento acentuador de angústia pelo não assemelhamento físico a referências corporais tidas como socialmente desejáveis.

Para compreender o sentido da corporeidade canônica da cultura de massa é fundamental compreender o percurso do estatuto do corpo no Ocidente até sua elevação de culto e investimento de afeições simbólicas.

O fenômeno do culto ao corpo parte de um estágio em que o corpo é demonizado, escondido fonte de vergonha e pecado e culmina com o corpo das academias e sua explosão de músculos.

Ao longo do século xx, o estatuto do corpo no espaço público, privado, político e o social experimentou mudanças radicais. Embora o início dos processos de redefinição dos espaços e papeis do corpo remonte entre as duas guerras mundiais. O corpo se consolida na segunda metade do século XX em conseqüência das mudanças de paradigmas gerados pela reconfiguração do mapa geopolítico do mundo após a Segunda Guerra.

O mundo prevalecente até então era um mudo marcado pela existência das chamadas metanarrativas, pelos grandes paradigmas, pressupostos assertivos com pretensões de definitivos, cuja construção tinha como base a epistemologia estruturalista-racional, visões que pressupunham a crença absoluta e incondicional nos poderes da razão e da ciência.

Com o esfacelamento das metanarrativas e conseqüentemente, dos referencias políticos, filosóficos e ideológicos prevalecentes até então e que lhes asseguravam sustentabilidade, entram em crise, para não mais sair os grandes discursos unificados, os metadiscursos legitimadores que mediavam a adesão dos indivíduos a causas e projetos coletivos. Essa crise levou o homem ao individualismo, voltando-se para a sua própria imagem, para o culto ao próprio corpo.

No segundo momento Malu Fontes analisa a idéia de corpo canônico como equivalente a uma determinada corporeidade físico-anatômica predominante na cena sociocultural contemporânea e corresponde a um modelo de construção da identidade e da imagem próprio das últimas décadas do século xx. E é através das mídias que as modalidades físicas são disseminadas conquistando todas as classes sociais, regulados pelo poder aquisitivo de cada indivíduo. Ela chama a atenção do leitor para as formas adotadas pelos economicamente excluídos para estabelecer um discurso de altivez. O corpo dissonante é o corpo ausente de discursos culturais. Esse corpo, ilustrado pelos deficientes físicos, só se constitui um atrativo e consumível na cultura de massa quando apresentado sobre a configuração de espetáculo e denúncia. E, quando naturalizado e sem artifícios reduz-se a objeto causador de rejeição.









Um comentário:

  1. Gostei do seu trabalho. o resumo nos leva a desejar entrar em contato com o livro.

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